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Azul é o jogo que você empresta para alguém que "não gosta de jogo de tabuleiro" e nunca mais recebe de volta.
Publicado pela Plan B Games em 2017, com design de Michael Kiesling, ele transformou a colocação de azulejos portugueses do Palácio de Évora numa das experiências mais limpas do hobby. Dois a quatro jogadores, trinta a quarenta e cinco minutos, peso 1.8 de 5.
É o gateway definido: a porta por onde gente entra no hobby sem perceber que entrou.
A MESA DE HOJE
O gateway que parece bobo e vicia na terceira partida
A mecânica cabe em uma frase. No centro da mesa, discos de fábrica seguram azulejos coloridos. No seu turno, você pega todos os azulejos de uma cor de um disco, empurra os outros para o centro, e enfileira sua escolha numa das cinco linhas do seu tabuleiro. No fim da rodada, cada linha completa move um azulejo para o muro e marca pontos. Simples assim.
O veneno está na regra de penalidade. Todo azulejo que você pega e não consegue acomodar cai no chão, e cada um no chão tira pontos. Você não controla quando vai sobrar.
Pegar quatro azulejos da cor certa parece ótimo até perceber que só cabem dois na linha, e os outros dois viram prejuízo na sua frente. Na primeira partida isso surpreende.
Na terceira, é o jogo inteiro: você para de coletar o que quer e começa a calcular o que o adversário é obrigado a pegar. A escolha de cada jogador estraga ou salva a mesa do seguinte.
A pontuação do muro premia adjacência. Azulejos encostados em azulejos pontuam em cadeia, então a ordem de preenchimento importa tanto quanto a coleta. Completar uma coluna inteira, uma linha inteira ou as cinco peças de uma cor dá bônus no final. É profundidade suficiente para o cálculo nunca relaxar, e rasa o bastante para ensinar em dois minutos.
Os componentes carregam metade da reputação do jogo. Os azulejos são de resina pesada, brilhante, agradável de manusear, com peso e clique que viram parte do prazer. O saco de coleta, o tabuleiro individual de cartão grosso, a arte cerâmica. Azul é bonito na prateleira e bonito na mesa, e isso converte tanto quanto a mecânica.
Para quem vale: casais, famílias, grupos mistos, qualquer mesa onde alguém topa jogar mas teme regras. Para quem não vale: o jogador que busca interação direta e confronto, ou peso acima de 3. Azul é abstrato e indireto. Quem quer porrada na mesa vai achar frio.
O veredicto. Azul é o melhor portão de entrada do hobby moderno. Parece bobo na caixa, ensina em dois minutos, e na terceira partida você já está bloqueando azulejo para sabotar o vizinho. Spiel des Jahres 2018 por mérito limpo. |
NO RADAR
Três jogos pela mesma porta de entrada
Sagrada (Floodgate Games, 2017), drafting de dados translúcidos para montar um vitral com regras de adjacência e cor. Peso 1.9, 30 minutos, o primo do vitral com o mesmo prazer tátil. Veredicto: vale comprar como segundo abstrato bonito da estante.
Calico (Flatout Games, 2020), colcha de retalhos com gatos, padrões e botões, pontuação por adjacência exigente. Peso 2.3, 45 minutos, um degrau acima na crueldade do encaixe. Veredicto: vale esperar se Azul ainda é novidade na mesa.
Azul: Vitral de Sintra (Plan B Games, 2018), a sequência standalone com painéis de vidro e uma camada extra de ordem de colocação. Peso 2.3, 45 minutos. Veredicto: pule por enquanto e domine o Azul original primeiro, ele já entrega tudo que o gateway promete.
ONDE COMPRAR
Azul: catálogo permanente, zero expansão obrigatória
Azul em português pela Galápagos Jogos sai na faixa de R$199 nas principais lojas nacionais, com disponibilidade ampla e frete tranquilo por ser título de catálogo permanente.
É um dos jogos com melhor relação entre o que custa e o que devolve em horas de mesa: caixa única, sem expansão obrigatória, rejogável por anos sem cansar. Se achar abaixo de R$170 em promoção, é compra fechada sem pensar duas vezes.
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Setup Memorável
Produtividade digital sem culto a app. As ferramentas, os fluxos e o que de fato move o ponteiro. Menos apps, mais resultado.
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Boa mesa.
O filtro que faltava na sua mesa.
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