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Cartographers resolve um problema que quase nenhum jogo de tabuleiro resolve: como sentar a mesma diversão na frente de uma pessoa sozinha e na frente de uma sala com cem.
Publicado pela Thunderworks Games em 2019, com design de Jordy Adan, é um roll-and-write de desenhar mapas para 1 a 100 jogadores que dura de 30 a 45 minutos e pesa 1.8 numa escala de 5. Cada jogador recebe uma folha com uma grade quadriculada e um lápis.
A partir daí, o número de pessoas na mesa é detalhe: o jogo é o mesmo para um ou para cem.
A MESA DE HOJE
A mecânica que cabe num lápis
Uma carta de exploração é virada e mostra um formato de terreno, tipo uma peça de Tetris, e um ou dois tipos de terreno possíveis: floresta, fazenda, água, vilarejo ou montanha. Todo mundo, ao mesmo tempo, desenha aquele formato na própria folha, escolhendo onde encaixar e qual terreno usar.
Ninguém espera o turno de ninguém. Esse é o truque que faz o jogo escalar: como todos jogam em simultâneo, dez pessoas demoram o mesmo que duas.
A pontuação vem de quatro cartas de objetivo sorteadas no início, dois objetivos ativos por estação. Uma pode pedir florestas encostadas na borda, outra fileiras completas de fazenda, outra vilarejos grandes e conectados.
Você nunca sabe de início todos os critérios que vão valer, então cada traço é uma aposta entre o que pontua agora e o que pode pontuar depois.
As cartas de monstro forçam você a desenhar terreno inimigo na folha do vizinho, e cada quadrado vazio em volta de um monstro tira ponto no fim. É a única interação direta, e dá para ligar ela ou não.
Os componentes são honestos com a proposta: um baralho de exploração, blocos de folhas de mapa, e o jogo pede só lápis, que não vêm na caixa. Não há tabuleiro nem miniatura, nada para perder peça. A arte das cartas é caprichada, em clima de mapa antigo, e dá o tom sem pesar no preço.
PARA QUEM VALE
De um jogador a uma sala inteira
Cartographers é talvez o jogo mais flexível por menos de R$120 no mercado nacional. Brilha no solo, com um sistema de pontuação que vira um quebra-cabeça pessoal contra o seu próprio recorde.
Brilha em casal, em grupo de amigos, e brilha de um jeito que nenhum outro jogo desse preço consegue: numa sala de aula, num evento, numa mesa de família grande no fim de ano. Compra-se um, fotocopia-se as folhas, e a mesa não tem limite.
Não compre esperando interação tática pesada ou confronto. Cada jogador desenha quase isolado, e quem busca negociação, blefe ou ataque vai achar o jogo solitário demais. E quem odeia escrever ou tem dificuldade com espacial-visual fino pode cansar das grades.
O veredicto. Cartographers é o melhor custo-benefício do hobby quando o problema é número variável de gente na mesa. Um jogo, qualquer contagem de jogadores, menos de R$120, e profundidade que segura dezenas de partidas. Poucos títulos fazem tanto com tão pouco material. |
NO RADAR
Três jogos de papel e lápis na mira
Welcome To... (Deep Water Games, 2018), flip-and-write de construir um bairro nos anos 50 para 1 a 100 jogadores. Peso 1.8, 25 minutos. Veredicto: vale comprar para quem quer outra opção de grande grupo.
Railroad Ink (Horrible Guild, 2018), roll-and-write de traçar malha de trens e estradas com dados para 1 a 6. Peso 1.6, 20-30 minutos. Veredicto: vale comprar como roll-and-write de bolso.
Cartographers Heroes (Thunderworks, 2021), versão standalone com cartas e terrenos novos para 1 a 100. Peso 1.9, 30-45 minutos. Veredicto: vale esperar ter o original primeiro, porque um já entrega quase tudo.
ONDE COMPRAR
Cartographers: caixa pequena, mesa sem limite
Cartographers em português pela Galápagos Jogos sai entre R$99 e R$119 nas lojas nacionais, com estoque estável e frete tranquilo. É um dos melhores casos de custo por hora de mesa do catálogo: a caixa é pequena, os blocos de folha duram dezenas de partidas, e nenhuma expansão é obrigatória. Quem esgotar as folhas reimprime ou parte para o standalone Heroes.
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