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King of Tokyo é o jogo de dados da IELLO que transforma seis monstros gigantes numa briga por um único trono no centro da mesa: cada relance decide se você bate, cura ou junta energia, e quem ocupa Toquio pontua alto, mas apanha da mesa inteira ao mesmo tempo.
Lançado em 2011 pela IELLO e assinado por Richard Garfield, o mesmo criador de Magic: The Gathering, é o jogo de festa que pegou o relance estilo Yahtzee e colou nele um tema de kaiju arrasando uma cidade. Garfield partiu da mecânica mais familiar do mundo, rolar dado e guardar o que interessa, e amarrou a ela uma decisão de território que faz a mesa inteira gritar.
Roda de 2 a 6 jogadores, fecha em cerca de trinta minutos e marca peso 1.5 na escala do BoardGameGeek, o degrau leve em que a regra entra em dois minutos e a primeira partida já roda solta. O preço BR fica na faixa média, e a graça é que ninguém fica sentado esperando: mesmo fora do seu turno, você está torcendo, apanhando ou comemorando.
A MESA DE HOJE
Um trono só, seis monstros, e o dado que você relança
Cada jogador escolhe um monstro gigante, do lagarto radioativo ao coelho ciborgue, e começa com dez pontos de vida e zero ponto de vitória. No centro da mesa fica Toquio, um espaço só, o trono que todos querem e que ninguém aguenta segurar por muito tempo.
O turno abre com seis dados e até três relances, o coração de Yahtzee. Você rola tudo, separa o que serve, relança o resto, mais duas vezes. Cada face é uma escolha: garra pra bater, coração pra curar, raio pra juntar energia, e os números 1, 2 e 3 que só pontuam em trinca.
Aqui mora a decisão do jogo, o que você guarda. Três garras batem forte agora, três corações te trazem de volta da beira, três raios compram uma carta de poder que muda a partida. Cada relance é uma aposta: seguro a trinca de números que já tenho ou arrisco tudo atrás da garra que falta? O dado não manda em você, a coragem de relançar é que decide.
O trono é o motor de pontos. Se Toquio está vazia e você bate, é obrigado a entrar, e quem entra ganha um ponto na hora e mais dois no começo de cada turno que aguentar lá dentro. Ficar no trono é a via rápida pros vinte pontos que vencem o jogo.
O preço é alto. De dentro de Toquio, sua garra acerta todo mundo lá fora de uma vez só, o ataque mais poderoso da mesa. Mas você também vira alvo de todos, apanha de cada monstro no turno dele, e não pode curar enquanto estiver no trono. A qualquer momento você decide: aguento mais um turno mirando a vitória ou pulo fora antes que a mesa me derrube?
A tensão central não é montar um motor no seu canto, é ler a mesa em tempo real. O monstro com dois pontos de vida no trono vira festa de tiro ao alvo, e o que juntou energia demais some numa carta de poder devastadora. Cada turno alheio te obriga a escolher entre derrubar quem lidera ou guardar vida pro seu próprio ataque, e vencer é saber a hora de subir no trono e a hora de descer.
PARA QUEM VALE
Para quem vale, e para quem não
Vale pra mesa que quer barulho e risada em trinta minutos. Se o seu grupo cansa de jogo comprido e quer sentar, entender a regra num gole e já estar gritando na segunda rodada, King of Tokyo é a festa certa: rápido, direto e sem tempo morto entre as jogadas.
Vale pra quem está trazendo gente nova pro hobby. A mecânica de Yahtzee todo mundo já conhece de infância, então não assusta ninguém, e o tema de monstro destruindo cidade quebra o gelo com criança, com quem nunca jogou e com o cunhado que jura que odeia jogo de tabuleiro.
Vale pra quem gosta de conflito na cara. Aqui você bate no vizinho, o vizinho revida, e a mesa toda se une contra quem está no trono. Quem acha eurogame educado demais e quer sentir a briga vai se divertir com um jogo que é pura interação direta.
Não compre quem procura profundidade estratégica. O peso 1.5 não engana: as decisões são gostosas, mas rasas, e quem quer planejar dez turnos à frente e otimizar um motor complexo vai achar tudo leve demais depois de três partidas.
Não leve pra mesa que odeia depender de dado. Por mais que o relance dê controle, a sorte tem voz alta aqui, e uma sequência ruim de dados pode te tirar do jogo cedo. Quem trava quando o azar aparece na mesa vai se frustrar.
Não compre pra quem joga sempre em dupla. King of Tokyo brilha com quatro, cinco ou seis monstros brigando, e definha no 2 jogadores, onde a graça de a mesa toda virar contra o líder simplesmente não existe. Duas pessoas é o pior jeito de conhecer o jogo.
O veredicto. King of Tokyo é o jogo de dados que melhor traduz Yahtzee em briga de monstro, e continua enchendo mesa mais de uma década depois porque acertou a decisão central: um trono só no meio da mesa, que pontua alto e cobra caro, forçando cada jogador a pesar ganância contra sobrevivência a cada turno. O relance estilo Yahtzee dá controle sem tirar a tensão do dado, e o tema de kaiju faz a regra desaparecer dentro da diversão, sem nunca punir quem sentou pela primeira vez.
Peso 1.5, de 2 a 6 jogadores e preço BR na faixa média, é a compra mais certeira pra quem quer festa rápida, barulhenta e cheia de risada, contanto que a mesa aceite a sorte do dado e junte pelo menos quatro monstros na briga. Como porta de entrada pro hobby ou como intervalo entre jogos pesados, poucos títulos dessa faixa entregam tanto grito por trinta minutos de mesa. |
NO RADAR
Três jogos de mesa na linhagem do King of Tokyo
Três jogos na mesma linhagem de King of Tokyo, cada um puxando um fio diferente, o dado empurrado, o embate direto e o caos festivo de mesa cheia, pra estante crescer sem repetir a mesma noite de jogo.
King of New York (IELLO, 2014), a evolução do próprio King of Tokyo em que a cidade tem vários bairros, os dados ganham a face de estrela do noticiário e derrubar prédios vira fonte de ponto, um degrau mais tático na mesma pegada de monstro. Peso leve, cerca de 40 minutos, de 2 a 6 jogadores. Veredicto: vale comprar pra quem amou o original e quer mais miolo sem perder o barulho.
Zombie Dice (Steve Jackson Games, 2010), o jogo de puxar a sorte com dados em que você é um zumbi juntando cérebros e decide a cada rolagem se para ou arrisca levar mais um tiro, o mesmo prazer de empurrar o dado do King of Tokyo numa caixa de bolso. Peso leve, cerca de 20 minutos, de 2 a 8 jogadores. Veredicto: vale comprar pra quem quer a tensão do relance no formato mais portátil possível.
Camel Up (Pretzel Games, 2014), a corrida maluca de camelos empilhados em que você aposta em quem chega na frente e os dados saem de uma pirâmide que ninguém controla, a mesma bagunça barulhenta e imprevisível do King of Tokyo sem nenhuma briga. Peso leve, cerca de 30 minutos, de 2 a 8 jogadores. Veredicto: vale comprar pra mesa grande que quer o caos festivo num jogo de apostas.
ONDE COMPRAR
King of Tokyo: a festa de monstro numa caixa só
King of Tokyo sai na faixa média nas lojas de boardgame brasileiras, geralmente entre R$220 e R$320 na edição da Galápagos Jogos, com os seis painéis de monstro, os seis dados grandes de kaiju, o baralho de cartas de poder, os cubos de energia e os marcadores de vida e ponto, num material colorido e robusto que aguenta a mão da criançada por anos.
É a compra mais fácil de justificar pra quem quer um jogo que agrada da criança ao avô na primeira explicação: ensina em dois minutos, cabe em meia hora e enche a casa de grito a cada ataque. Se a conta for quantas noites animadas essa caixa entrega por real gasto, poucos jogos dessa faixa de preço rendem tanta risada pela mesa.
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