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Quacks of Quedlinburg abraça a sorte sem vergonha nenhuma e faz dela o momento mais barulhento da noite. Quem exige controle total vai sofrer; quem aceita o caldeirão vai gargalhar.
Publicado pela Schmidt Spiele em 2018, com design de Wolfgang Warsch, é um bag building de empurrar a sorte para 2 a 4 jogadores que dura cerca de 45 minutos e pesa 1.9 numa escala de 5.
Cada jogador é um curandeiro charlatão fervendo a própria poção, comprando ingredientes às cegas de um saco de pano, e a pergunta que define a rodada inteira é uma só: paro agora com o que tenho, ou tiro mais uma peça e arrisco estourar tudo?
Levou o Kennerspiel des Jahres em 2018, e raramente um jogo de tanta sorte gerou tanta decisão.
A MESA DE HOJE
Comprar às cegas e saber a hora de parar
Todo mundo joga ao mesmo tempo, cada um no seu tabuleiro de caldeirão. No seu turno você enfia a mão no saco, tira um ingrediente sem olhar e o coloca na trilha em espiral do caldeirão, avançando conforme o valor da peça.
Quanto mais longe a poção chega, mais pontos e mais dinheiro você fatura no fim da rodada.
O detalhe que segura todo mundo na cadeira são as bolinhas brancas de cereja podre: se a soma das brancas que você puxou passar de sete, o caldeirão explode e a rodada acaba mal para você.
Aí mora a tensão de empurrar a sorte. A qualquer momento você pode parar e garantir o que já cozinhou, ou mergulhar a mão de novo sabendo que o saco está cheio de brancas esperando para te trair.
Parar cedo demais deixa pontos na mesa, parar tarde demais perde a rodada inteira. Como todos puxam juntos, a mesa vira um coro de gente comemorando uma peça boa e gemendo com uma branca, e o jogador que já estourou fica olhando os outros decidirem se ousam mais um pouco.
O building entra entre as rodadas. Com o dinheiro do que cozinhou, você vai a um mercado e compra ingredientes novos para enfiar no saco: peças que valem mais, que dão explosões coloridas, que protegem das brancas ou que combinam efeitos em cadeia.
Cada nova bolinha muda a probabilidade do que vem na próxima vez que você mete a mão lá dentro, e é isso que faz o saco ficar mais perigoso e mais poderoso a cada rodada.
São nove rodadas, e quem perde recebe um pequeno empurrão de catch-up para não ficar para trás, o que mantém a mesa toda viva até o fim.
Os componentes carregam bem a brincadeira. São dezenas de fichas redondas de ingrediente em papelão grosso e cores vivas, os caldeirões de cada jogador, o saco de pano de verdade para o sorteio às cegas, e um livro de variantes que troca os efeitos das peças e dá fôlego longo. A montagem rende muitas partidas sem repetir a mesma poção.
PARA QUEM VALE
Para quem vale, e para quem não
Quacks vale para quem quer o melhor push-your-luck para jogar em grupo. Como todos agem ao mesmo tempo, não tem espera entre turnos e a mesa inteira fica tensa junto, o que faz dele um arrasa-quarteirão de família, casal e grupo de amigos sem prática de jogo.
Vale para quem gosta de sentir a construção do saco evoluindo de rodada em rodada, e vale como porta de entrada para quem acha jogo de tabuleiro coisa séria demais: a regra entra em dez minutos e a primeira explosão arranca risada.
O catch-up segura quem está atrás, então ninguém desiste no meio.
Não compre esperando um eurogame de controle fino, sem sorte para culpar. Quem detesta depender do acaso vai se irritar com a branca que aparece na hora errada e estoura a poça toda.
Quem quer interação direta e embate agressivo também vai sentir falta, porque aqui cada um cozinha o próprio caldeirão e a disputa é indireta, na corrida por pontos. É um jogo de tensão e gargalhada, não de xadrez.
O veredicto. Quacks of Quedlinburg é o push-your-luck mais divertido para botar na mesa em grupo. A sorte do saco manda, mas a decisão de parar ou arriscar é toda sua, e o building entre rodadas dá peso de estratégia a um jogo que continua leve e barulhento.
Acessível, tenso e festivo na medida exata. Poucos jogos dependem tanto da sorte e dão tanto na mão de quem joga. |
NO RADAR
Três jogos que conversam com Quacks
Can't Stop (reedições atuais, 1980), o avô do push-your-luck com dados. Peso 1.3, 30 minutos. Veredicto: vale comprar para quem quer a tensão da sorte na forma mais limpa e barata, sem building.
The Quest for El Dorado (Ravensburger, 2017), deck building de corrida pela selva. Peso 2.0, 30 a 60 minutos. Veredicto: vale comprar para quem curtiu montar um motor que melhora a cada rodada, com mais decisão e menos sorte.
Port Royal (Pegasus Spiele, 2014), jogo de cartas de empurrar a sorte com mercadores. Peso 1.4, 20 a 50 minutos. Veredicto: vale esperar uma promoção, ótimo de bolso mas sem o espetáculo de mesa de Quacks.
ONDE COMPRAR
Quacks: saco cheio, mesa em chamas
Quacks of Quedlinburg em português pela Devir sai entre R$329 e R$389 nas lojas nacionais, com estoque estável e frete normal para o país inteiro.
O preço fica na faixa dos festivos médios e se justifica na montanha de fichas, nos caldeirões de cada jogador e no saco de pano que faz o sorteio funcionar. Modo até quatro jogadores, livro de variantes embutido e nenhuma expansão obrigatória para render dezenas de partidas.
Quem quer a mesma tensão num pacote menor e mais barato pode olhar Can't Stop antes de fechar.
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