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Spirit Island tem a coragem de exigir estudo antes de entregar qualquer coisa, e eu respeito jogo que filtra a mesa sem pedir desculpa. O grupo que passa no filtro recebe um dos cooperativos mais ricos já desenhados. Publicado pela Greater Than Games em 2017, com design de R.
Eric Reuss, é um cooperativo de controle de área e gestão de mão para 1 a 4 jogadores, dura de 90 a 120 minutos e pesa 4.0 numa escala de 5.
Cada jogador encarna um espírito da natureza com poderes próprios, e o grupo defende uma ilha da invasão dos colonizadores. Não é um euro de pontuação. É um quebra-cabeça compartilhado em que todo mundo perde junto se a leitura do tabuleiro falhar.
A MESA DE HOJE
Por que esse pesado pune a pressa e premia quem lê a mesa
Os colonizadores não são controlados por nenhum jogador. Eles seguem um baralho que dita, a cada rodada, onde vão explorar, construir e devastar, sempre na mesma ordem rígida.
Você enxerga o ataque chegando antes de ele acontecer, e essa é a graça inteira: o jogo é sobre antecipar o estrago e posicionar poder onde ele ainda não dói. Quem reage tarde vê a ilha apodrecer de praga e perde.
Quem lê o baralho e age um turno à frente segura a maré.
Cada espírito é uma máquina diferente. Um cresce devagar e esmaga regiões inteiras no fim, outro é rápido e fraco e depende de combinar com os parceiros, outro manipula o medo dos invasores até eles fugirem sozinhos.
A assimetria é radical, e por isso a mesa precisa estudar: você não domina o jogo, domina o seu espírito, e só entende o conjunto quando o grupo conversa cada jogada. As primeiras partidas parecem um manual aberto na mesa. É o preço de entrada, e é justo.
A vitória raramente vem de aniquilar tudo. Você acumula medo, e o medo muda as condições de vitória ao longo da partida, fazendo a colonização recuar por terror antes de ser varrida por força. Não é uma guerra de atrito, é uma campanha psicológica que o grupo monta junto, turno a turno.
O veredicto. Spirit Island é um dos cooperativos mais profundos e honestos já publicados, e a profundidade não é decoração: a curva íngreme é o conteúdo, não um obstáculo.
O grupo que aceita estudar as duas ou três primeiras partidas é recompensado com dezenas de combinações de espíritos e níveis de dificuldade que esticam o jogo por anos. O peso 4.0 não perdoa a mesa que quer leveza.
Para quem entende que pagou por um pesado, o custo-benefício é dos melhores do hobby. |
PARA QUEM VALE
Para quem vale, e para quem não
Spirit Island brilha na mesa que já passou de Pandemic e quer um cooperativo que não resolva no piloto automático. Grupos que planejam em voz alta, casais que curtem dividir um quebra-cabeça denso e jogadores solo encontram aqui um teto de profundidade altíssimo. A escalada de dificuldade é granular, então o jogo cresce com você em vez de ficar fácil.
Não compre se a mesa quer algo leve para a noite de sexta com amigos casuais. A curva assusta, a primeira partida é lenta e o espírito errado nas mãos de quem ainda não pegou o ritmo frustra o grupo inteiro, porque a derrota é coletiva.
Quem busca confronto direto entre jogadores também não acha aqui: o inimigo é o baralho, não o parceiro. É um jogo para quem trata estudar as regras como parte do prazer.
NO RADAR
Três cooperativos que conversam com o de hoje
Pandemic (Z-Man Games, 2008), cooperativo de controle de doenças. Peso 2.4, 45 minutos, a porta de entrada do gênero, bem mais leve e rápido, mesmo espírito de salvar o mundo em grupo. Veredicto: vale comprar para a mesa que ainda vai aprender a cooperar antes de encarar o peso 4.
The Crew (KOSMOS, 2019), trick-taking cooperativo de missões. Peso 2.0, 20 minutos por rodada, comunicação restrita e custo baixíssimo, num formato de cartas que cabe na mochila. Veredicto: vale comprar se a mesa quer cooperativo enxuto sem investir num pesado.
Gloomhaven (Cephalofair Games, 2017), dungeon crawler cooperativo de campanha. Peso 3.9, 60 a 120 minutos, mesma faixa de peso e grupo que estuda, com campanha longa em vez de partida fechada. Veredicto: vale esperar uma boa promoção, porque o investimento de tempo e dinheiro é alto e só compensa para quem quer maratona.
ONDE COMPRAR
Spirit Island: trave o preço quando aparecer
Spirit Island em português pela Ace Studios fica na faixa de R$480 a R$610 nas lojas nacionais, com disponibilidade que oscila, então vale travar o preço quando aparece em estoque. A base já entrega centenas de horas com seus espíritos e níveis de dificuldade, sem precisar de nada extra.
Quem mergulhar fundo encontra depois as expansões Branch & Claw e Jagged Earth, ambas opcionais. Para quem quer testar o sistema antes, o aplicativo digital roda a regra inteira e ajuda a decidir se a mesa física vale.
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RECOMENDACAO DE NEWSLETTER
Setup Memorável
Produtividade digital sem culto a app. As ferramentas, os fluxos e o que de fato move o ponteiro. Menos apps, mais resultado.
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Indicacao de uma newsletter parceira selecionada pela curadoria.
Boa mesa.
O filtro que faltava na sua mesa.
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