|
The Quest for El Dorado tirou o deck building da poltrona e o colocou pra correr, e o gênero ficou melhor ofegante. O resultado é a prova de que mecânica cerebral aguenta adrenalina.
Desenhado por Reiner Knizia e publicado pela Ravensburger em 2017, é um jogo para 2 a 4 jogadores que dura de 30 a 60 minutos e pesa 2.0 numa escala de 5.
Você monta um baralho de exploradores enquanto move seu peão por um tabuleiro de selva feito de peças modulares, tentando ser o primeiro a cravar o pé na cidade dourada.
A regra entra em cinco minutos, a primeira partida termina em meia hora, e mesmo assim a decisão de cada turno aperta como num jogo muito mais pesado.
A MESA DE HOJE
Comprar cartas enquanto corre
Cada jogador começa com um baralho idêntico e magro: alguns exploradores fracos e pouco ouro. No seu turno você compra a mão, joga cartas para uma de duas coisas, e descarta.
As cartas têm dois usos que disputam a mesma mão: símbolos de movimento, que empurram seu peão por terrenos de selva, água e mato, e moedas, que compram cartas novas e mais fortes do mercado central. O aperto é constante.
Gastar a mão inteira andando deixa seu baralho fraco para o resto da corrida. Parar para comprar cartas melhores custa turnos preciosos enquanto o adversário avança.
O tabuleiro é montado com peças hexagonais antes de cada partida, então o trajeto até El Dorado nunca é o mesmo. Cada terreno exige um símbolo específico para ser cruzado: o mato pede machete, o rio pede remo, a montanha pede travessia mais cara.
Há atalhos perigosos que cobram cartas raras e desvios longos que só pedem o básico. Ler o mapa e montar o baralho certo para aquele trajeto é o jogo inteiro, e como o mapa muda, a estratégia muda junto.
A tensão vem de que ninguém espera. Não há turno parado otimizando engine em silêncio: a linha de chegada está visível desde o primeiro lance, e cada carta que você compra é uma carta que o outro não vai ter.
Bloqueios de caminho, barreiras que só liberam quando alguém paga, e o medo de comprar bem demais e andar de menos. É deck building com cronômetro emocional ligado.
Os componentes da Ravensburger são limpos e funcionais. As peças de tabuleiro são grossas e encaixam bem, os peões de explorador são de madeira, as cartas têm arte de expedição clara e legível à distância. Nada de luxo desnecessário, tudo a serviço de montar e jogar rápido. É produção de jogo que quer voltar para a mesa, não ficar na estante.
PARA QUEM VALE
Para quem vale, e para quem não
The Quest for El Dorado vale para quem quer entender deck building sem encarar um manual de vinte páginas. É o melhor primeiro deck building que existe: ensina compra de cartas, sinergia de baralho e gestão de mão em uma partida, com a recompensa imediata de uma corrida.
Vale para grupo misto, porque a corrida visível mantém todo mundo ligado mesmo fora do próprio turno. Vale para casal e para quem joga com a família a partir de adolescentes, pelo trajeto modular que renova cada partida.
E vale para o jogador experiente que quer um filler nervoso de meia hora entre dois jogos pesados.
Não compre esperando o deck building profundo de um Dominion ou Clank com dungeon. Quem busca combos longos, engine que explode no fim e dezenas de cartas diferentes vai achar El Dorado enxuto demais.
Quem detesta a sensação de corrida, em que um erro de leitura de mapa custa a partida sem chance de recuperação lenta, também não é o público. É rápido e cortante de propósito, e essa velocidade é o ponto, não uma limitação.
O veredicto. The Quest for El Dorado é o gateway de deck building mais veloz e tenso que cabe numa caixa. Knizia transformou compra de cartas em corrida e tirou todo o tempo morto do gênero. Entra em cinco minutos, tensiona até a última peça de selva, e renova a cada montagem de mapa. Poucos jogos ensinam tanto enquanto divertem tão rápido. |
NO RADAR
Três jogos que conversam com El Dorado
Clank! (Renegade Game Studios, 2016), deck building com mapa de masmorra e empurra a sorte para roubar tesouro e fugir. Peso 2.2, 30 a 60 minutos. Veredicto: vale comprar para quem curtiu a corrida e quer um passo a mais de aventura.
Dominion (Rio Grande Games, 2008), o avô do deck building puro, sem tabuleiro, só cartas e combos. Peso 2.4, 30 minutos. Veredicto: vale comprar como o próximo degrau natural para quem pegou gosto pela compra de cartas.
Cartographers (Thunderworks Games, 2019), roll-and-write de mapas para grupo grande, mesmo DNA de gateway leve com decisão apertada. Peso 1.9, 30 a 45 minutos. Veredicto: vale esperar uma promoção se a estante já cobre corrida e construção de baralho.
ONDE COMPRAR
El Dorado: caixa média, corrida rápida
The Quest for El Dorado em inglês pela Ravensburger sai entre R$329 e R$399 nas lojas nacionais de importados, com simbologia universal nas cartas que dispensa idioma na mesa. O estoque vai e volta, e o frete varia conforme a loja, então vale comparar antes de fechar.
O preço pede um pouco mais que um abstrato gateway, mas se justifica no tabuleiro modular, na rejogabilidade alta dos mapas variáveis e na produção da Ravensburger. Caixa média, montagem rápida, zero expansão obrigatória para render muito. Quem quer o mesmo gênero sem tabuleiro pode olhar Dominion antes de decidir.
|
RECOMENDACAO DE NEWSLETTER
Notas do Café
Café especial da fazenda à xícara, sem frescura. O grão, o preparo e o que muda no sabor. Pra quem toma café todo dia e quer entender o que está bebendo.
|
Boa mesa.
O filtro que faltava na sua mesa.
|